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Igualdade e concorrência

por pedrop, em 17.11.13

Quase toda a gente assume que o mercado é uma zona de que se excluem considerações de igualdade. Mas será que tem de ser assim? E que razões teria um social-democrata para sentir aversão a um mercado em que se incorporassem valores igualitários? É claro que esta discussão passa pela regulação, que já faz parte do debate público. Mas há uma diferença entre a regulação (necessária) que refreia o mercado em si e a que visa transformá-lo em algo melhor, menos arbitrária (por exemplo, protegendo certos agentes pequenos, promovendo a inovação, consagrando as patentes, garantindo redes de segurança como o subsídio de desemprego a empresários).

E não se trata aqui de discutir a dimensão da concorrência privada, em relação ao Estado ou a monopólios. Está em causa a valoração axiológica que se possa fazer dela independentemente da sua dimensão.

É que me parece que a configuração do mercado feita pelo neoliberalismo acaba por ser engolida por uma certa esquerda, que passa a recusá-lo em função dessa configuração; ou, se preferirem, poderá haver aqui um preconceito partindo dos marxistas, que sempre rejeitaram a hipótese de redenção do mercado como plausível.

Admito que a questão que levanto possa ser um disparate. Mas ver com outros olhos a concorrência, perante as possibilidades (algumas delas já concretizadas) de regulação política dela, pode dar a qualquer defensor da igualdade a possibilidade de se conciliar com a economia de mercado, não apenas enquanto necessidade (trocas, globalização, facilidade) mas também enquanto valor. Isso, se concretizável, implicaria afastar quadros conceptuais generalizados.

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publicado às 19:10