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Na morte

por pedrop, em 05.12.13

Não há nada que se possa dizer que não vá ser dito, ou já não tenha sido pensado por alguém. Mandela merecia mais do que o desfile da praxe de reportagens e elogios que aí virá. A maior parte podia ser deitada no lixo, e a verdade do sentimento seria maior se se substituíssem as palavras por um pesar interior ou um gesto simples, como uma flor branca junto à embaixada da África do Sul.

 

Tenho uma excepção: o Papa Bergoglio, ou Francisco, de que me lembrei há minutos por acaso, na rua, pouco antes de a notícia começar a ser divulgada. Pensei no significado do exemplo que este homem resolveu ser. Conseguiu, em pouco tempo, encarnar verdadeiramente uma inspiração, pairando acima de religião e crença, nesse exemplo, que tem muito mais de humano e universal. É exactamente isso que se pode dizer de Mandela, que não personificou apenas o orgulho negro, nem o seu país, mas toda a libertação e toda a dignidade. Foi e é um exemplo concretizável nas nossas vidas individuais, tanto tocante quanto mobilizante; mas, duma forma universal, em que todos se possam rever. É por isso que se tornou o símbolo maior desta época. 

 

Não tendo sofrido metade do que sofreram Mandela e todos os que ele simboliza, Francisco arrisca tornar-se uma estrela da mesma constelação, no exercício do seu poder absoluto. Só me interessa ouvir o elogio dele.

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publicado às 22:45