Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Uma imagem

por pedrop, em 17.05.13

que diz tudo.

 

Estamos a caminho de ultrapassar aquela que é provavelmente a última fronteira jurídica à não discriminação de homossexuais na nossa sociedade - a proibição da adopção. Há quem o reconheça, mas não esperem de todos igual satisfação por isso. Afinal de contas, prejudicar famílias concretas já existentes em nome dum conceito de família pré-concebido (um "modelo" abstracto que se autojustifica contra a ciência*) ainda é o nosso status quo.

 

Porque é de conceder a crianças (que vivem numa família constituída por um casal gay) a possibilidade de ter direitos em relação a ambos os pais/mães (e não apenas àquele que juridicamente o é) que aqui se trata. Infelizmente, ainda não podemos dizer que vingou, sobre o prenconceito, o reconhecimento geral de que uma família constituída por um casamento entre pessoas do mesmo sexo não é contraditória com o superior interesse de qualquer criança que possa vir a ser adoptada. Mesmo na co-adopção, depois desta aprovação ainda falta percorrer um caminho legislativo com obstáculos evidentes.

 

Entretanto, há muita gente a precisar de tomar sal ENO. Não dão cobertura a insultos, excepção feita aos homossexuais, claro. Sugerem o fim biológico da espécie humana. Falam da natureza, como se o casamento não fosse uma convenção social, ou como se a natureza se prestasse a analogias, no caso da adopção (que, aliás, ninguém propõe vedar a solteiros). Não nos devemos esquecer destes rostos de quem resistiu e tem hoje azia. São o equivalente histórico de quem ontem recusava o fim de outras formas de segregação. Num caso, como nos outros, deles não restará mais do que o registo de um passado censurável e duma resistência inútil ao lado certo da História.

 

* A ler: declaração da American Academy of Pediatrics e conclusões da American Psychological Association.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:41