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A negociação incoerente

por pedrop, em 22.05.13

Paulo Gorjão, A eficácia da gritaria enquanto estratégia negocial:

 

"Às vezes perguntam-me o que é que eu faria se lá estivesse [nas negociações com atroika]. No mínimo, gritava, para alguém ouvir. Não ficava calada de certeza absoluta", afirmou Manuela Ferreira Leite.
Leio isto e fico na dúvida se valerá a pena comentar uma afirmação tão ridícula. Ferreira Leite não só parte do pressuposto de que o Governo é um mau negociador -- baseado em que factos? -- como ainda por cima propõe como estratégia negocial andar aos berros, ainda que seja, sejamos simpáticos, num sentido figurado.
Isto é tão primário e tão patético que não sei o que diga. Triste sorte a de um país que tem elites deste calibre.


Eu não sei até que ponto os últimos defensores de Passos Coelho podem chegar de negação de coisas óbvias: "Baseado em que factos?" Se o Paulo Gorjão prefere ser céptico em relação às evidências mediáticas por virem da comunicação social, pode simplesmente ficar-se pela questão lógica: como pode alguém que concorda com um programa de ajustamento querer negociá-lo de forma significativa? Dito de outra forma: como é que acreditar neste programa cola com querer negar-se a constatação de que não há grande negociação? É uma questão de coerência.

 

Não estão em causa as micronegociações com a delegação de técnicos da troika, naturalmente. Eu concordo com o último parágrafo deste texto, só acho que errou no alvo: devia dirigir-se à sede do actual poder político português. 

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publicado às 09:21