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Da competição fiscal

por pedrop, em 28.05.13

A "happy hour" fiscal, Daniel Oliveira:

Vendo as coisas de uma forma um pouco mais alargada, tenho todas as dúvidas da eficácia de uma estratégia de concorrência fiscal com o resto da Europa. Os dois casos mais evidentes desta estratégia têm outros atrativos que a tornam eficaz. Na Irlanda, que tem conseguido atrair empresas norte-americanas, fala-se inglês, há relações culturais fortes com os EUA e apostam-se em altíssimos índices de qualificação, sobretudo na área da engenharia. A Holanda está no centro da Europa, mesmo ao lado do mercado alemão, e é servida pelo porto de Roterdão. Portugal é periférico e pouco qualificado. Dificilmente vencerá neste campeonato. 

Para além dos seus atrasos estruturais - baixas qualificações, custos de contexto, como os da energia, muito altos, salários baixos que apostam numa produção que não acrescenta valor, moeda demasiado forte para a sua economia, o que levou ao desinvestimento em bens transacionáveis e ao endividamento privado -, Portugal tem, neste momento, dois problemas graves: dificuldade de acesso ao crédito em condições competitivas e anemia do mercado interno. Sem resolver os dois, começando pela crise do mercado interno, todas as medidas serão inúteis. Porque ninguém investe, mesmo que pague zero de impostos, num país periférico onde não há mercado.

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publicado às 11:42