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O governo fantasma

por pedrop, em 12.06.13

As vantagens disto são evidentes. Além de dar ao Governo tempo para encontrar uma folga até Novembro, quando o segundo orçamento rectificativo estiver em vigor e o investimento mágico tiver arrancado, serve para voltar ao argumento da divisão, com um exemplo concreto na pele.

 

A generalidade dos cidadãos vai receber subsídio de férias este mês. O Governo, então, pode vincar que "vocês recebem". Substituir palavras por gestos é uma maneira de recauchutar e tentar fazer valer uma táctica que falhou: a de fazer crer aos trabalhadores privados que basta atacar uma minoria para ser possível resolver os problemas do país. Bastava deixar o Governo fazê-lo, era a única coisa que pretendia. E nem era assim tão grave. Afinal, com a suspensão ainda em vigor, até receberam o subsídio de Junho. Aqueles juízes do TC fizeram uma tempestade num copo de água. Isto demonstra que o Governo está longe de ter desistido de dividir as pessoas, de seccionar determinadas minorias para as apresentar à maioria como a moderação do seu próprio sacrifício. Tentamos colocar os outros pior do que tu, o que te fazemos é necessário, mas não te fazemos o que fazemos aos outros, que é muito pior, por isso, tenta ver-nos como teus defensores.

 

Mas, acima de tudo, isto demonstra uma necessidade cada vez maior de dar uma prova de vida. As hostes precisam permanecer quentes para não se notar tanto a frieza de um corpo moribundo no meio da praça pública. A confusão, a vozearia, o desfile de sindicalistas, os posts inflamados dos apoiantes são absolutamente essenciais nesse objectivo. Os fantasmas precisam assombrar os outros para que se lembrem que eles existem. Que se trate de algo que continua a roçar os limites da legalidade e da licitude criminal não parece importar muito. É um risco a correr.

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publicado às 10:39