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Greve em exames

por pedrop, em 19.06.13

Eu acho que foi inoportuna a greve de segunda-feira. Dificilmente terá o ganho esperado, podendo ter até o efeito oposto de alienação das pessoas perante as reivindicações dos professores. Mas é difícil não a compreender. Como dizia Luís Pedro Nunes (no Eixo do Mal da SICN), quem decidiu aderir tinha, num lado da balança, o transtorno causado por um adiamento dos exames para os seus alunos e, do outro lado, a possibilidade de se fazer ouvir, tentando evitar a eventualidade de perder o próprio emprego.

 

Eu também aceito que possa vir a existir, no curto prazo, um excesso de professores face ao número de alunos; sendo, no entanto, certo que dificilmente se pode admitir como boa a ideia de os demitir sem mais, atirando-os sem qualquer requalificação (verdadeira) para uma massa de desempregados que continua a aumentar, sem qualquer esperança de encontrar trabalho. O voluntarismo com que isso se propõe é, não só leviano, como irresponsável da parte de quem tem por tarefa, sufragada em eleições democráticas, gerir uma comunidade.

 

Pior do que não compreender as razões de quem faz greve é não a aceitar como um direito. Este Governo tem um problema evidente em conformar-se com decisões a que se encontra adstrito. Viu-se isso na birra com o Tribunal Constitucional, assim como se viu na reacção à deliberação da comissão arbitral (criada para dirimir estes conflitos), que entendeu não haver motivo para limitar o direito à greve através da imposição de serviços mínimos. Perante a possibilidade de adiar a greve, o Governo preferiu manter a data, sabendo a incerteza que isso geraria, invocando o interesse dos alunos. Chegou mesmo a convocar 10 vezes mais professores do que os necessários para controlar os exames, e nem assim conseguiu evitar que uma percentagem significativa de alunos ficasse sem exame. Com a derrota, viu-se forçado a fazer o que rejeitara e adiou, enfim, o exame para esses alunos.

 

Hoje, soube-se que, por causa da greve geral, o ministro da educação resolveu, não adiar, mas adiantar o exame de matemática, a uma semana da sua realização. Logo se vê que o próprio considera, afinal, de pouco relevo para o interesse dos alunos manter as datas de exames inalteradas. Perante a sucessão de evidências, só se pode concluir que o tão propalado prejuízo para os alunos do adiamento do exame foi, na verdade, aumentado pela acção do Governo, quer gerando incerteza no exame de português ao recusar o adiamento que depois teve de fazer, quer adiantando agora o de matemática. Agiu com o mesmo método que acusou os sindicatos de ter: instrumentalizando os alunos.

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publicado às 23:18