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A questão essencial é europeia

por pedrop, em 08.05.15

Isto está bonito: Passos Coelho a propor a financiamento parcial do subsídio de desemprego pelo orçamento da União Europeia. O PS tem estado praticamente em silêncio sobre matéria europeia, num erro crasso de análise, como se o problema fundamental não fosse europeu. Tenta convencer-nos que basta mudar de governo para mudar de políticas, o que é uma falácia conveniente. Não é verdade porque, embora muita coisa mude, a questão da austeridade depende fundamentalmente da União, como qualquer pessoa que tenha lido o pacote legislativo conhecido por "Pacto de Estabilidade e Crescimento" (a que os estados como Portugal estão adstritos) percebe. Mas é conveniente, porque facilita a mensagem partidária aos eleitores de que a alternativa só depende do voto no partido certo. Só que isso está a dar margem a este governo (!) para inverter marcha rumo ao "centrão", apropriando-se de ideias que no passado rejeitara, quando propostas pelo PS. Acho que é uma estratégia completamente errada deste PS. Centrar o discurso na Europa é um caminho mais difícil mas é uma exigência de seriedade, que tanto falta à nossa política e que faz a diferença para quem não veja os eleitores como estúpidos. Prometer que se acaba com a austeridade sem que o que se propõe tenha correspondência, antes se traduzindo numa pequena folga (baseada, aliás, em novas medidas ideologicamente muito próximas da direita) é um caminho de visível eleitoralismo. Qualquer eleitor percebe que o centro-esquerda nos estados (seja em Portugal, seja em França, seja onde for) está restringido no sentido das soluções que a direita assume mais sinceramente e de forma mais coerente. É a incoerência do centro-esquerda que lhe dá, de resto, toda a liberdade de recentrar o discurso, num conservadorismo solidário que soa mais realista. Por isso, subscrevo que a questão essencial a discutir é europeia, conclusão a que Seguro tinha chegado antes de ser apeado da pior forma possível no PS. Com isto, toda a conversa sobre a incapacidade de Seguro e toda a conversa da sobre-capacidade de Costa ficam arrumadas na gaveta da vergonha. A resposta da esquerda fica adiada mais do que era necessário, porque nem sequer se admite que o combate é de longo prazo - e político, não económico (economicamente, é hoje um dado adquirido que a austeridade fracassou).

 

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publicado às 00:11