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Inversão de marcha

por pedrop, em 10.03.15

Dificilmente os últimos meses poderiam ter corrido pior ao PS. Como alguém disse, a situação só se perceberia se fosse intencional para baixar as expectativas em torno de António Costa. Felizmente, parece que as más sondagens estão a surtir efeito, e a liderança socialista já deu uma volta de 180º em algumas questões na última semana. Desde logo, o líder do PS já não vai acumular funções na Câmara de Lisboa, algo que Costa defendera em 2011. A falta de clarificação dava ideia de equacionar o cenário de derrota eleitoral nas legislativas. Resta saber quando sairá da Câmara e se renuncia ao mandato ou apenas suspende funções.

Também houve propostas concretas, muito embora minimalistas, ficando muito longe da questão essencial e algumas delas, no mínimo, controversas. Julgo que as pessoas querem da oposição que apresente uma alternativa substancial, que diga como acaba a austeridade (sem o jogo semântico de propor mais austeridade, renomeada "rigor", dizendo que a austeridade acabou). Para manter esta política, para quê mudar? O PS continua sem posição sobre a dívida pública, um retrocesso face ao trabalho da anterior liderança. Recorde-se que essa tomada de posição tinha sido adiada por causa duma conferência da COFAP - que aconteceu em dezembro! Também houve um retrocesso nas propostas em matéria europeia, quando todos sabem que a solução do nosso problema fundamental está em opções políticas a serem tomadas pela UE e pela zona euro. Depois da total ausência de propostas, Costa teve de chamar antigos ministros e outros quadros. Veremos o que sai dali.

Recuperou-se a "lei Seguro" sobre as incompatibilidades no exercício de funções, nomeadamente parlamentares, que, recorde-se, tinha sido descartada como "populista" e engavetada com a mudança no largo do Rato. Defendo que é preciso ir mais longe. A exclusividade de funções dos titulares de orgãos de soberania deve ser a regra - e já é assim, exceto para os deputados. Como isso não faz sentido nenhum, é uma questão de tempo até as coisas mudarem. Há muitas resistências e, por isso, percebe-se que se caminhe aos poucos. Apesar do retrocesso desta proposta face à da anterior liderança em matéria de declarações de rendimentos, trata-se dum bom sinal. Resta saber se haverá mais do que bons sinais.

 

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publicado às 13:12