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Não há burros de carga

por pedrop, em 12.04.14

Quem se põe não só contra quaisquer aumentos do salário mínimo nacional (SMN), mas na defesa da sua redução/eliminação, olha para os trabalhadores, não como pessoas, mas como recursos a alocar. Olha para o emprego do ponto de vista de uma oferta em competição, não algo que mereça dignidade, com critérios mínimos que a garantam. Quem o faz não está preocupado com os trabalhadores, porque olha de outro prisma, o da alocação de recursos numa empresa, extrapolando esse prisma para toda a sociedade, em vez de olhar para o lado da qualidade de vida de pessoas concretas, reunidas por regras mínimas comuns, numa comunidade. Não se preocupa em observar que as próprias entidades patronais reunidas em associação se disponibilizam para o compromisso responsável de manter e reforçar o salário mínimo. Desvaloriza-o. Economicamente, escolhe uma ideologia que fundamente tudo isto, em detrimento de outra, contraditória. Diz que o aumento do SMN agora proposto seria catastrófico, sem ter, sequer, em conta que o custo para a economia não chega aos 150 milhões de euros, em boa parte devolvidos por via do aumento da procura. Do ponto de vista social, ignora quaisquer considerações com o trabalhismo, a valorização do trabalhador, na sua dignidade enquanto cidadão igual.

Muitas vezes, esse “quem” é eleito, como o Passos Coelho de há um ano atrás (não este Passos Coelho, que é igual ao de 2010, que quer ser eleito). Os trabalhadores, que olham para si próprios, não como um objecto, mas como um sujeito digno, podem e devem prestar atenção ao modo como são olhados por quem tem poder, avaliar se estão bem representados nessas pessoas, e votar em conformidade.

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publicado às 01:19