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O contraponto

por pedrop, em 28.02.15

O Público noticia que Passos Coelho esteve cinco anos sem pagar contribuições à segurança social, e que só pagou agora a dívida, já prescrita. Não posso deixar de pensar no timing da notícia, face à polémica dos últimos dias, em torno das declarações de António Costa, que vieram pôr em causa todo o trabalho de oposição dos últimos anos, e que foram divulgadas por um eurodeputado. Parece um contraponto, ou mesmo uma resposta. Esta pré-campanha pode ficar feia. De qualquer forma, isso não seria de estranhar, dado o estímulo duma corrida que se está a tornar mais competitiva, com o empate técnico entre PS e coligação nas últimas sondagens.

É certo que se trata duma questão pessoal, dos deveres individuais de Passos Coelho para com um credor, numa altura em que nem sequer era Primeiro Ministro. Mas também é verdade que essa dívida é para com o Estado, tratando-se dum devedor que, nas funções públicas, tanto tem exigido aos trabalhadores. Bem prega frei Tomás... Passos diz que já pagou a dívida e que não tinha sido notificado, o que não foi bem esclarecido. Dever não é pecado e a dívida prescrita deixa de ser devida. Ainda assim, Passos pagou, o que nem todos fariam. Mas, note-se, só o fez depois de interpelado pelos jornalistas. Enfim, se ficar por aqui a história, não há muito a dizer. Pelo contrário, a política de casos e de indignações sucessivas ensaiadas de parte a parte está bem enraízada. Falta-nos uma nova política. Hoje, precisávamos preocupar-nos, acima de tudo, com o que está errado nas decisões políticas de Passos Coelho e que deve ser mudado. Se não colocamos isso no topo da agenda, é porque não vemos assim tantas razões para mudar. E se não virmos assim tantas razões para mudar de política, de que serve mudar de políticos? 

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publicado às 02:05