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O xadrez do CDS

por pedrop, em 24.03.15

Pelas sondagens atuais, o cenário mais provável é o PS vencer com maioria relativa as próximas legislativas. Mas a margem é escassa, mais escassa até do que nas Europeias (o pretexto para António Costa chegar à liderança). Por isso, e porque não se sabe ainda o impacto que terão os partidos de oposição ao centrão que farão campanha denunciando a possibilidade dum bloco central, tudo pode acontecer. Em cima da mesa, está um cenário interessante para quem gosta de política, e sobretudo para o CDS, embora possivelmente problemático para o país, numa situação precária internacionalmente após o resgate da troika. O cenário pressupõe que PSD e CDS vão coligados a eleições e vençam o PS por escassa margem, de modo a que o PS tenha mais deputados do que o PSD. Se os partidos "pequenos" não tiverem muito mais do que 25%, com a distribuição interna de lugares na coligação é possível que o CDS consiga ter deputados suficientes para ter maioria... em soma com o PS. O PSD também (com o PS) mas julgo que dificilmente resistiria à tentação de exigir liderar o governo, dado ser a coligação a força política mais votada, colocando uma questão de legitimidade a um governo que não o incluísse. Teríamos Portas a poder escolher estar como está e, nesse caso, Costa seria PM (tendo de pagar ao CDS o preço da "traição" com lugares efetivos no governo) e Passos continuaria líder do PSD e na oposição, a dizer que é o PM legítimo. Se, no cenário mais provável, o PS ganhar com mera maioria relativa, as possibilidades de acordo (de coligação ou apenas parlamentar) com o CDS dependem, novamente, de este ter deputados suficientes para dar ao PS a maioria absoluta; caso contrário, restaria a Costa o PSD. Interessante nisto tudo é como o CDS, por uma margem curta, tanto pode ser o king maker como não ter poder nenhum, e como isso depende muito da votação nos partidos fora deste jogo a três. Pode até ser que esses partidos consigam emergir e um deles ocupar aquela posição de king maker, com ou sem o CDS - penso no PDR de Marinho Pinto, que é o mais bem colocado, nesta altura, para ocupar essa posição. Mas isso exigiria uma ascensão rápida (o PS, longe da maioria absoluta nas sondagens, precisará de muitos deputados do outro partido) que não está a acontecer, ou uma surpresa na noite eleitoral.

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publicado às 13:32