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Os donos imaginários do nosso destino

por pedrop, em 04.05.14

Dito há duas décadas, soa incrivelmente presente, quando se inventa um patriotismo que o não é:

Qualquer que seja o resultado do próximo prélio eleitoral, esta situação esgotou a sua lógica e, com ela, uma lógica que, subjetivamente regulada e obcecada regulada e obcecada pela defesa da nossa imagem e dos interesses nacionais, foi pouco a pouco obrigada a ceder o passo a interesses e intenções que de «nacionais» só têm o nome. Só com o envolvimento do povo português no seu conjunto, sem maximalismos fora de estação nem ressentimentos nacionalistas demagógicos, será possível recuperar o lugar que é o da política como expressão do interesse e da vontade coletivos, democraticamente expressos e exercidos, e não consciente ou inconscientemente confiscados por interesses privados a quem nem é sequer possível pôr um nome. Pelo menos, português. Mas que não se pense que é tarefa fácil. O mundo das ilusões passou. Portugal é um pequeno país, num contexto histórico duradouramente perturbado, em guerra informática e mediática permanente. Hoje, para pequenas nações como a nossa, o único dever é ter consciência disso e não nos tornarmos donos imaginários do nosso destino e objetos virtuais da vontade de poder dos outros.

Eduardo Lourenço (1995): "Uma década paradoxal", A esquerda na encruzilhada ou fora da História?, Gradiva, 2009, p. 125.

 

 

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publicado às 20:18