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Presidenciais

por pedrop, em 03.04.15

Depois da presidência de Cavaco, que se afundou completamente no segundo mandato, e penso que qualquer observador objetivo pode concordar com isto, seria intuitivo esperar uma mudança. Mas hoje essa oportunidade corre o sério risco de ser desbaratada. A TVI noticia que Sampaio da Nóvoa avança e será o candidato apoiado pelo PS. Perante as sondagens, a escolha é politicamente duvidosa. Vinco que me refiro ao PS. Sampaio da Nóvoa tem sido apontado como possível candidato a Belém, independente ou apoiado por outra força política de esquerda, nomeadamente o partido Livre, e as interrogações que suscito não têm a ver com esses cenários. Neste momento, Marcelo Rebelo de Sousa deve estar a sorrir. Apresenta-se-lhe um horizonte de divisão à esquerda, com candidatos de pouca experiência, pouco mediatismo e pouca ligação às pessoas comuns. Devo dizer que simpatizo com Sampaio da Nóvoa, com o seu pensamento, e que acho bom que haja candidaturas diferentes desta vez. Ainda nem escolhi em quem vou votar. O que sinto é dúvida. Preocupa-me que esta candidatura seja consagração simbólica, "fora do armário", do elitismo que grassa no PS e que esta liderança, que tem de resto um estilo majestático e orgulho de se dedicar a jogos florais, tem cultivado persistentemente. É certo que Sampaio da Nóvoa representa e simboliza algo mais: a valorização da coisa pública, da educação e da ciência - onde temos um défice maior do que o défice orçamental do Estado. Também outro candidato, Henrique Neto (o único oficializado até aqui), já tinha falado nisto quando se apresentou, há dias, aos eleitores. O timing da notícia de hoje evidencia a reação infeliz que a liderança do PS teve a esse candidato, que lhe trocou mesmo as voltas, ao avançar tão cedo. António Costa provavelmente não queria ser arrastado já para esta discussão. Apesar da tentativa de estancar a hemorragia, tenho impressão que o rol de candidatos do centro-esquerda não se fica por aqui. 

Tendo em conta as incertezas que este processo está a gerar, talvez fosse avisado que o PS promovesse um referendo interno para escolher quem apoia. Não sei se há disponibilidade para isso. Enfrentaria de frente o problema: seria um sinal de abertura mas, mais do que isso, permitiria aliviar a tensão, antecipando uma escolha e pacificando essa escolha. Caso contrário, suspeito que se gerará um problema de legitimação e divisão, com implicações nas legislativas e nas presidenciais. 

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publicado às 13:57