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Sem revoluções nem voluntarismo

por pedrop, em 08.12.15

A única forma de responder à recusa do Outro é promover a aceitação, a tolerância e a inclusão. Sendo uma crise de sentido para o continente, a Europa só sairá dela se e quando decidir sair (é uma redundância). Normalmente, nos círculos inconformados, lança-se uma receita, por exemplo nas políticas sociais: salário mínimo europeu, subsídio comum de desemprego. A lista possível de ideias é infindável. Outras vezes, espera-se que o próximo governo de centro-esquerda num estado europeu faça, enfim, diferente (o quão diferente oscila entre a legislação interna e a saída do euro ou da UE). Só que o problema não é propor a melhor lista, nem identificar o D. Sebastião europeu, mas sentar todos à mesa para discutir um conjunto, que pode ser variável, de compromissos - sem revoluções nem voluntarismo. Em tantas décadas de integração europeia, nunca houve uma conferência social a sério. E quando a crise se adensa, exigindo mais empenho, é quando ele mais falta. Qualquer compromisso, por mais modesto que fosse, seria excelente, porque reconheceria o problema enquanto tal, e não se recusaria mais enfrentá-lo. Uma coisa tão simples quanto uma conferência social e política europeia entre líderes social-democratas seria um passo de gigante. E, sim, o caderno de encargos implicaria os objetivos duma harmonização fiscal e duma federalização de certos aspetos da proteção social.

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publicado às 17:27